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Psicologia
Agosto: dar-se permissão para ser humano

Chegámos a Agosto, o coração do verão português. Os dias são longos, o calor aperta e, com ele, surge muitas vezes uma sensação contraditória: por um lado quer aproveitar ao máximo estas semanas mais quentes, por outro sente cansaço, irritabilidade ou até uma certa culpa por "não estar a aproveitar o suficiente".

Neste mês convidamo-lo a experimentar uma prática simples, mas profundamente libertadora: a lista das três permissões. Em vez de exigir de si o verão perfeito — corpo ideal, agenda repleta de planos e humor sempre elevado —, pode dar-se permissão consciente para ser simplesmente humano.

Alguns exemplos que podem inspirar: dar-se permissão para ter dias mais lentos e sem uma agenda preenchida do amanhecer ao anoitecer; permissão para sentir cansaço, tristeza ou ansiedade mesmo estando de férias; permissão para dizer "não" a alguns convites sem justificar nem carregar culpa; permissão para não gostar de praia, de festas ou de viajar e ainda assim considerar o seu verão válido; ou permissão para priorizar o seu descanso acima das expectativas dos outros.

Quando se permite estas pequenas liberdades, a pressão interna diminui naturalmente, a autocrítica abranda e consegue, de forma paradoxal, desfrutar mais do que realmente importa. O verão não precisa de ser perfeito para ser bom — apenas precisa de ter espaço para a sua versão real.

Esta semana, reserve apenas cinco minutos num momento mais tranquilo. Pegue num papel ou no telemóvel e escreva as suas próprias "três permissões" para o mês de Agosto. Coloque-as num local visível e releia-as sempre que sentir a velha pressão a instalar-se. Verá como pequenas mudanças de atitude podem trazer um grande alívio.

Cuide de si com gentileza. Agosto é também um excelente momento para lembrar que o seu bem-estar não depende de um calendário perfeito, mas da forma como se trata a si próprio.

Por Sofia Medeiros - Psicóloga