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Exercício e Saúde
Sono e os seus contributos para a saúde integral

É impreterível que, em algum momento, ao falar de exercício e saúde, toquemos no assunto sono, uma vez que, os riscos da sua privação são tremendos para o corpo.

Devemos reconhecer que as perturbações do sono são uma causa de queixas de uma percentagem significativa das pessoas que recorrem ao médico de família.

Um estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que num grupo de pessoas que recorreram a cinco consultórios de cuidados primários, mais de metade queixava-se de excessiva sonolência diurna, um terço ressonava com sonoridade e cerca de 14% queixava-se de períodos de apneia.

Repare que, das propriedades biológicas fundamentais, como o saciar da fome e da sede e a actividade sexual, o sono é a única cuja privação não pode ser mantida por mais de cinco ou seis dias, sem que alterações comportamentais e fisiológicas apareçam, com risco da própria vida.

Vejamos, durante o sono são produzidas, de forma regular e sistemática, as hormonas anabolizantes (a hormona do crescimento, a prolactina e a testosterona), e são controladas as hormonas catabolizantes, com maior relevo para o cortisol e a hormona estimulante da tiroideia. Tudo acontece de modo a que se anabolize ou se reparem os tecidos dos diferentes órgãos enquanto se dorme, e estejam reguladas funções reprodutoras. Tudo acontece para que de manhã, ao acordar, o cortisol esteja num nível adequado, para que o dia comece bem; mas se não dormirmos, as hormonas anabolizantes diminuem, as catabolizantes aumentam e os riscos para a saúde aparecem.

Por outro lado, o sono é essencial na regulação de energia e para a homeostase: pelo controlo da temperatura, a qual diminui quando dormimos; e pela regulação do controlo energético por via alimentar, numa balanço entre o que nos tira a vontade de comer (a leptina, produzida à noite) e o que nos aumenta o apetite (a orexina, produzida de dia, e a grelina, segregada ao fim do dia). Por tudo isto, o dormir pouco provoca fadiga e aumenta o risco de ganhar peso em todos os grupos etários.

Ainda, o sono tem uma relação estreita e complexa com a imunidade, e o não dormir aumenta o risco de doenças infecciosas e eventualmente auto-imunes; assim como, resulta em diminuição do desempenho psicomotor, lapsos de atenção e dificuldades de concentração, diminuição da memória para eventos recentes, tempos de reacção prolongados, mau humor, sensação de fadiga, irritabilidade e até estados confusionais.

Para além do mal-estar que a insónia prolongada pode causar a cada indivíduo particular, ela constitui também um perigo público, já que depois de uma noite de privação total de sono o desempenho comportamental desce, equiparando-se ao de um indivíduo com uma taxa de alcoolémia de 0,8, e os seus efeitos deletérios são aditivos.

Em suma, os riscos e as consequências são graves, universais e afectam todas as idades; dormir de menos ou de mais aumenta o risco de obesidade, hipertensão arterial, diabetes tipo II, acidentes, cancro, depressão, insónia e morte mais precoce. Sobrepostos a todos estes riscos há os que atingem o cérebro, diminuindo a memória, a aprendizagem, a criatividade, a resolução de problemas, afecta as emoções e a estabilidade emocional.

Tudo isto poderia ser evitado se existisse um melhor conhecimento da fisiologia do sono e da sua relação com os ritmos biológicos naturais, porém, recorrendo a ajuda profissional quando necessário e/ou alterando comportamentos menos condizentes com uma boa higiene do sono é possível melhorar a saúde e, consequentemente, a qualidade de vida.

Exercite-se para dormir bem e durma bem para ter capacidade de se exercitar ainda melhor!     

Por Juliana Anjo – Treinadora